DÍZIMO já contribuo! Devo contribuir também com as OFERTAS nas Missas?

Porque o dízimo e ofertas se complementam de forma que não há como separar um do outro. Para entender os motivos pelos quais as ofertas são um direito, e não apenas um dever dos batizados, vamos olhar juntos para a Bíblia

A Igreja, no seu início, tinha o costume de celebrar a Eucaristia nas casas e de colocar tudo em comum.  A partilha da Eucaristia e dos bens constituíam uma única prática (cf. At 2,42-47).

Os primeiros cristãos levavam para a celebração eucarística o pão e o vinho, e para a partilha outras oferendas, colhidas da terra e retiradas dos rebanhos.

As ofertas dos primeiros cristãos tinham como objetivo o reconhecimento da bondade de Deus, e eram ao mesmo tempo uma forma de partilha, como escreveu São Justino (Século II): Os que possuem em abundância, se desejarem fazê-lo, dão o quanto querem, e o que foi depositado é levado àquele que preside, o qual assim socorre os órfãos e as viúvas, os enfermos pobres, os encarcerados etc., em suma, todos os necessitados”.

Deixou-se de fazer ofertas em bens para se oferecer dinheiro a partir do século oitavo. Essa mudança ocorreu porque as comunidades passaram a ter necessidades diversificadas. O dinheiro, por ser facilmente aplicado a qualquer necessidade, mostrou-se mais prático e substitui parcialmente as ofertas em bens.

O Povo hebreu compreendeu, desde a sua formação, que á generosidade de Deus, o homem e a mulher devem retribuir sendo também eles generosos. Daí a oferta como gesto de reconhecimento para com Deus, Senhor de tudo o que existe. Esse gesto não é ação espontânea do ser humano, sente a necessidade de agradecer, bendizer e partilhar.

O povo de Deus o Dízimo era compromisso assumido com Deus e com a comunidade de devolver a Deus pela comunidade, parte do que Deus, em sua generosidade, lhe dava (cf.Dt 14,22-29)

O povo de Deus manifestava o seu reconhecimento e a sua gratidão a Deus de diversos modos, inclusive pelo dízimo, pelos sacrifícios e pelas ofertas.

Os sacrifícios em ritos (=”ações litúrgicas”) por meio dos quais os hebreus ofereciam a Deus bens terrenos com a finalidade de pedir perdão, agradecer e implorar bênçãos (cf. Lv 1,1-7,38).

Entre as diversas formas de ofertas, o povo tinha especial cuidado com as primícias: A Deus eram entregues os primeiros frutos (produtos) da terra, considerados os melhores das colheitas (cf. Ex 22,29-30; 23,19;34,26; Dt 26, 1-4; Nm 15,17-21)

Duas ofertas eram particularmente solenes: O primeiro feixe de cevada, apresentado por ocasião da Páscoa (cf. Lv 10,9-14) e as primícias da colheita do trigo, no Pentecostes (Cf. Lv 23,15-22).

Além de reconhecer a bondade e a generosidade de Deus, o povo tinha a convicção de que oferecendo uma parte da colheita, toda ela era abençoada e santificada.

O povo Hebreu acreditava que, assim como Deus o tirou da escravidão do Egito por amor, também por amor ele, povo de Deus, deveria retribuir com Dízimos, votos, sacrifícios e ofertas.

Os Hebreus, além das primícias das colheitas, também ofereciam os primogênitos (=aqueles que nasceram primeiro) dos animais e dos filhos homens (cf. Ex 22,29-30). Os primogênitos dos humanos eram consagrados a Deus (cf. Ex 13,2) e resgatados (cf. Ex 13, 13;34,20), mas não era oferecido a Deus e depois substituído por uma oferenda. Foi o que aconteceu com Jesus (cf. Lc 2,22-24).

Jesus, que assumiu as leis hebraicas e as aperfeiçoou (cf. Mt 5,17), condenou as ofertas feitas apenas com a intenção de cumprir com a Lei (=conjunto de leis do povo Hebreu), porque dadas por orgulho e para a promoção dos doadores, e não como gesto de partilha e generosidade(cf.Lc 21,1-4).

Jesus ensinou que as ofertas só tem sentido quando, oferecendo-as a Deus, se está em paz com as pessoas (Cf. Mt 5,23). Quem é injusto, desonesto ou opressor não agrada a Deus nem mesmo que faça grandes ofertas (cf. Mt 23,23).

A oferta em dinheiro que fazemos hoje durante as celebrações tem o mesmo sentido e significado que as ofertas feitas no início da Igreja: bendizer a Deus e partilhar com a comunidade, especialmente com os empobrecidos e necessitados.

O dízimo é a forma mais justa e coerente que temos para, em comunidade, sustentar a ação evangelizadora da Igreja. Com a participação de todos os batizados, a comunidade anuncia Jesus Cristo a partir das diversas ações que executa, desde o cuidado com as celebrações até o atendimento aos empobrecidos e a formação de lideranças.

As ofertas são todas doações que fazemos à comunidade além do dízimo. Se ofereço uma mesa para a sala de reuniões, estou fazendo uma oferta; o mesmo acontece se dôo um cálice para as celebrações eucarísticas. Também é oferta a quantia em dinheiro que deposito no recipiente (cesta, caixa, bandeja etc.) utilizado na comunidade. Quanto à forma de fazer a oferta – saindo do banco e indo até o local da oferta, ou então com a cesta passando de mão em mão – muda de comunidade para comunidade, segundo as normas da diocese ou os costumes locais.

A oferta que fazemos na Missa, durante o Ofertório, é popularmente chamada de “coleta” significa recolher, colher, juntar. A partir de agora chamaremos a “coleta” pela sua designação mais recente,  ou seja, portanto,estaremos nos referindo à “coleta” feita durante a Missa, ou nas celebrações sem a presença do sacerdote (presbítero ou bispo).

“Prescritas” (ordenadas explicitamente, “obrigatórias”) são as ofertas “coletas” que devem ser feitas em todas as comunidades, e que têm uma finalidade pré-determinada (para sustentação de ações pastorais e caritativas da Igreja no País e/ou no mundo). São elas: 1. Coleta para a Evangelização (3º Domingo de Ramos); 2. Campanha da Fraternidade (Domingo de Ramos); 3. Lugares Santos (Sexta-feira Santa); 4. Óbolo de São Pedro (Domingo entre 28 de junho e 4 de julho) e, 5. Missões e Santa Infância (Penúltimo Domingo de Outubro). Os montantes dessas coletas devem ser repassados integralmente à finalidade a que se destinam. Existem outras ofertas que são prescritas apenas a nível diocesano.

Sendo um gesto de gratidão e de partilha, a oferta é também gesto de solidariedade e de compromisso com o próximo e com a comunidade, tanto no que diz respeito à subsistência desta, como na doação para quem passa por privações.

Quem faz uma oferta, mexe mais com o coração do que no bolso. Quem é egoísta não entende o valor da oferta, e por isso não conhece a alegria da partilha.

Podemos oferecer a Deus também o que sobra, mas não só. O Ideal é que ofereçamos algo de nosso, fruto do nosso trabalho e do nosso esforço (cf. MI 1,7-9; Lc 21,1-4).

A oferta é feita, salvo raras exceções, durante o Ofertório, na Missa. Cada comunidade opta pela forma que melhor lhe convier (com as pessoas indo até o local da oferta, ou o recipiente para as ofertas chegando até elas).

Nas comunidades que não têm Missa e se reúnem para a celebração da Palavra e o rito da Comunhão, a oferta deve ser feita segundo as normas da Diocese ou o costume local (após as leituras, ou após as preces da comunidade, ou ainda antes do término da celebração.

Ao colocar a sua oferta à disposição da comunidade, o ofertante faz-se benção para a comunidade, isto é, torna-se um sinal do Deus que é bom e generoso.

A oferta é uma forma de oração porque toda partilha é gesto de amor, é sinal de reconhecimento do eterno amor que Deus tem por nós.

O Dízimo é um compromisso assumido com Deus e com a comunidade; é um direito e um dever que leva a uma distribuição regular e generosa. A oferta é uma ação espontânea, dada quando possível e com generosidade.

A oferta pode ser entregue numa igreja onde se está participando da celebração, e que não é a comunidade à qual se pertence e onde se contribui com o dízimo (numa viagem, por exemplo). Também é uma forma de dar algo além do dízimo, complementando-o; já tendo contribuído com o dízimo, e querendo oferecer mais, faz-se isso por meio da oferta.

A oferta não acaba no “bolso do padre”. Ela é administrada pela equipe de finanças da comunidade, e destinada à evangelização. O prebístero (padre) tem o direito de receber da paróquia a remuneração (chamada de “côngrua”), que é estipulada pela diocese.

É de Deus que vem o significado espiritual da oferta. Deus é generoso: o Pai dá origem e sustenta o Universo (cf. Gn 1,1-2,4): o filho salva e liberta a humanidade (cf. Mt 27,2,-28,20); o Espírito Santo ilumina o mundo com sua sabedoria(cf. At 2,1-13; Jo 14,26; 15,26-27; 16,5-15; 20,19-23).  O Deus uno e trino é amor que transborda e se faz doação (cf. 1Jo 4,7-21).

“Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (2Cor 9,7).

 

Fonte: Editora Pão e Vinho

Padre Cristovam

 

Deus Abençoe Vocês!!